16 de abr de 2011

O meu filho passou de ano... O meu filho reprovou...


O meu filho passou nos exames, é um aluno nota 10! O meu filho reprovou, o professor é um incompetente!”


Estas são atitudes típicas dos pais: endossar a responsabilidade do fracasso escolar à escola, aos professores e aos programas, ou massacrar o filho-aluno pela sua negligência ou desinteresse, é uma maneira fácil de arranjar desculpas e fechar os olhos a outras realidades. Atribuir toda a culpa aos pais também seria injusto. Devem dividir-se as responsabilidades no insucesso e nos méritos em caso de êxito.

Causas de reprovação

O ritmo enlouquecido em que vivem algumas famílias, chega para explicar o insucesso escolar de muitos filhos. “As crianças recuperam segunda-feira no colégio!”. Se se quiser que as crianças trabalhem na escola, têm que estar descansadas: as horas do sono antes da meia-noite são muito importantes. Como é que as crianças que ficam horas frente à televisão vão dar atenção aos problemas , às equações ou a conjugação dos verbos? Que criança diariamente confrontada com cenas de violência, de sangue, de assaltos e roubos, pode interessar-se pela poesia, pela música, pela pintura, pela cultura?!


A estabilidade familiar

O ritmo de vida cada vez mais agitado e trepidante dos pais, pode destruir o frágil equilíbrio nervoso das crianças e comprometer o seu futuro escolar. Isto é, sem dúvida, uma das causas do crescente fracasso na escola. Mas para além destas, existem outras causas mais profundas e perigosas, como a instabilidade familiar e a insegurança da criança. Viver em segurança, numa atmosfera serena, é algo capital, tanto para as crianças, como para os adolescentes. Isto supõe viver numa família estável e coerente.


Se os pais brigam e se separam, o equilíbrio da criança fica comprometido. Surge também um sentimento de culpa: “a culpa é minha”. Por fim, os pais ficam assustados com o baixo rendimento escolar dos filhos. Mas a estabilidade do lar não é a única condição. A criança e o adolescente devem ser valorizados. Ser valorizado significa, antes de mais, ser aceito, tal como um filho é, com suas qualidades e defeitos. Se bem que seja importante valorizar a criança, não convém protegê-la em excesso. Não se deve fazer por ela aquilo que pode fazer sozinha. “O menino rei”, a quem se evitam as mínimas dificuldades, a quem se satisfazem todos os desejos e tudo consegue, graças ao poder dos seus pais, não atingirá nunca a autonomia.

É um menino mimado no sentido pleno da palavra. Cresce num mundo dourado, onde todos os problemas são resolvidos, evitando qualquer oportunidade de pensar, onde se removem todos os obstáculos e as oportunidades de crescer, onde nunca se diz “não”, eliminando todas as possibilidades de frustração.


Como se vê, o êxito escolar depende muito do contexto familiar: é preciso mandar à escola crianças com boa saúde física, afetiva e mental, queridas, aceitas, valorizadas e protegidas.

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